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Tudo
começou no "aquário", uma piscina carinhosamente
assim chamada pelos moradores do CRUSP (Centro Residencial da Universidade
de São Paulo); sua forma circular tinha aproximadamente 12
metros de raio e pertencia à administração do
ISSU, Instituto de Serviço Social da USP, hoje COSEAS.
O local onde eram dadas as aulas de capoeira era o vestiário
desta piscina até então desativada após a invasão
militar no final do ano de 1968. Hoje fica do lado esquerdo do NURI,
creche administrada pelo CEPEUSP, Centro de Práticas Esportivas
da Universidade de São Paulo.
Este curso era frequentado por alunos, funcionários e docentes
da USP. Foi aqui que conheci Mestre Eli e em 1970 comecei a longa
caminhada e a volta ao mundo da capoeira. Eli Pimenta, aluno do curso
de Ciências Sociais da FFLCH e formado em capoeira no final
da década de 60 pela Associação de Capoeira Cordão
de Ouro, é hoje docente da disciplina "Política"
na UNESP (Universidade Estadual Paulista).
Nunca tivemos um espaço próprio para desenvolver nosso
Projeto, mas em todos esses anos sempre participamos de quase todas
as atividades culturais da Universidade, tanto com grupos de trabalhos
de alunos (ECA, EAD, etc), como com o Projeto da Pró-Reitoria
de Cultura da USP (USPComunidade) com duração de dois
anos.
Ainda participamos de projetos fora da Universidade, entre os quais,
Em Tomo de Zumbi, em abril de 1996, na Biblioteca Monteiro Lobato
(oficina de capoeira).
Esse grupo firme em suas atividades e sem sede própria esteve
em vários locais, tais como: CA das Ciências Sociais,
FAU, e, de 1973 a 1990, em um galpão entre a Engenharia Civil
e a FEA, cedido pelo diretor da mesma. Esse galpão foi demolido
em janeiro de 1990, e a partir de então, fevereiro do mesmo
ano, fomos convidados para dar continuidade aos trabalhos na AMORCRUSP
(Associação de Moradores do CRUSP).
Em 1988 foi fundado o CEACA (Centro de Estudos e Aplicação
da Capoeira), por mim, Mestre Alcides de Lima, formado em capoeira
no ano de 1982.
Desde 1990, com o projeto Expresse-se com Consciência: Faça
Capoeira, eu e Mestre Dorival, vimos trabalhando muito, tanto em escolas
como com grupos de teatro, principalmente alunos e atores da ECA.
Em 1995, fomos convidados a ministrar aulas de capoeira na Universidade
Estadual do Colorado (CSU), na cidade de Fort Collins, EUA. Trabalhamos
também com sete escolas americanas de primeiro e segundo graus,
atingindo 110 crianças. Repetimos essas atividades nos EUA
nos anos de 1996, 1997 e 1998. Esse foi o ponto de partida para a
formação de um grupo de capoeira que tem a nossa coordenação
até os dias de hoje, em Fort Collins.
Como esse grupo, vários foram sendo formados, e hoje a família
CEACA se amplia:
- Bordeaux, França,
abril de 2000 (Associação Beira-Mar de Capoeira -
CEACA);
- Bowie, Maryland, EUA;
- San Juan, Puerto Rico;
- Brasil: Paraná, Terra Rica; em São
Paulo, estamos no Colégio Stella Maris, em Pinheiros, no
Lions Club, no Butantã, no Liceu Pasteur e na EMEF Desembargador
Amorim Lima, desde abril de 2000 no Projeto Ver para Crer, coordenado
pela Prefeitura de São Paulo.
Temos uma participação enorme em apresentações
e work shops, como, por exemplo, as participações
nos anos de 1998, 1999 e 2000 no Congresso Brasileiro de Psicologia,
no Laboratório de Estudo da Criança, do Instituto
de Psicologia da USP.
Nosso projeto de capoeira tem citações em pelo menos
oito trabalhos entre dissertações de mestrado e teses
de doutorado dentro dos departamentos de Sociologia, Antropologia
e Química da Universidade de São Paulo. |
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Buscar
a participação e a integração do indivíduo
às artes em geral (música, dança, teatro, etc)
promovendo o desenvolvimento de suas habilidades e aptidões,
tendo como fio condutor desse desenvolvimento a capoeira e outras
atividades afins.
No nosso ponto de vista, a Capoeira inicia uma fase que evidencia
sua valorização no proceso de educação
pois vem sendo objeto de estudo nos meios acadêmicos e universitários,
com várias dissertações de mestrado e teses de
doutorado já publicadas.
É um grande instrumento de promoção da história
e da cultura brasileira, se mantendo muito próxima das danças
folclóricas e diretamente ligada à vida sócio-econômica
e política do país; sua música conta e canta
a história de nosso povo, pois aqui ganhou características
muito próprias que vão além de toda a riqueza
cultural do continente-mãe (África) trazida pelos escravos
que aqui estiveram.
O CEACA valoriza a arte da capoeira, que pode ser trabalhada sob diferentes
enfoques, como na questão social e no resgate da identidade
étnica e, consequentemente, na auto-estima do indivíduo.
Com crianças, procura-se explorar o lado lúdico, trabalhando
seus movimentos básicos e naturais, principalmente a ginga.
Com adultos, além do lúdico, também é
explorada a técnica desportiva e sua eficiência como
luta e defesa pessoal. |
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